Páginas

Minha foto
são paulo, zona leste, Brazil

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Jean Piaget


Jean Piaget

 Jean Piaget nasceu em agosto de 1896 na Suíça. Desde criança interessou-se por mecânica, fósseis e zoologia. 
Piaget foi uma criança precoce, tendo publicado seu primeiro artigo sobre um pardal albino aos 11 anos de idade. Esse breve estudo é considerado o início de sua brilhante carreira científica.Estudou Biologia e Filosofia e recebeu seu doutorado em Biologia em 1918, aos 22 anos de idade.
Mudou-se para a França em1919, ano que ficou marcado em sua vida. Jean Piaget iniciou seus estudos experimentais sobre a mente humana e começou a pesquisar também sobre o desenvolvimento das habilidades cognitivas. Seu conhecimento de Biologia levou-o a enxergar o desenvolvimento cognitivo de uma criança como sendo uma evolução gradativa.
          Elaborar uma teoria do conhecimento foi a grande preocupação de Piaget. Para isso, dedicou uma parte de sua obra a observações minuciosas do desenvolvimento de seus três filhos. Conduziu esse estudo sempre apoiado em dois pilares: a lógica e a psicologia genética.
          Biólogo, Piaget definiu a inteligência como uma das manifestações da vida, isto é, uma forma de adaptação, sendo a ação o modo de interação do homem com o meio. Isto significa que em todos os níveis do desenvolvimento, uma conduta cognitiva é uma ação (concreta ou
interiorizada), cuja função é a adaptação do sujeito a seu meio pela interação. Este desenvolvimento é contínuo, sua continuidade encontra-se, por um lado, na noção de ação e, por outro, na de função: através de processos de assimilação e acomodação, o sujeito vai, pouco a pouco, coordenando suas ações num nível de complexidade estrutural cada vez mais alto. O aspecto descontínuo da evolução estaria ligado, portanto, ao conteúdo e às estruturas das ações.
          O período sensório-motor, que vai de zero a dois anos, caracteriza-se pela inteligência
sensório-motora, ou seja, uma adaptação prática ao mundo exterior. O bebê, partindo de simples reflexos, consegue chegar progressivamente a uma organização coerente de percepções sucessivas e movimentos que lhe permitem uma interação com os objetos reais do seu meio imediato: inicialmente, as condutas sensório-motoras dirigem-se ao próprio corpo (sucção, audição, visão...), orientando-se, em seguida, aos objetos externos. Uma coordenação gradual de ações tem lugar através do jogo de assimilações recíprocas, repetidas, reconhecidas e generalizadas. A princípio todos fechados, elas deixam de sê-lo à medida que o bebê age com intenção, transformando-se em condutas que coordenam meios e fins e diferenciam o sujeito, fonte da ação, do objeto, que adquire uma certa permanência espaço temporal. A partir de condutas que se repetem em bloco, ao acaso e sem objetivo prévio, o bebê alcança gradativamente um estágio, onde um objetivo antecede sua ação; utilizando-se de esquemas adquiridos anteriormente (bater, agitar, etc.), que podem ser chamados de “conceitos sensório-motores”, o sujeito busca compreender um objeto através de suas possibilidades de uso (como “definições pelo uso” encontradas, posteriormente, no plano verbal).

          Os primeiros esquemas de ação (sucção, preensão) vão se estender, assim, a objetos
diversos e, simultaneamente, as ações se modificarão em função de novos objetos. Aos poucos, os diferentes esquemas de ação irão, igualmente, se coordenando: no início, o bebê, ou olha um objeto, ou pega-o; mais tarde, ele poderá pegá-lo e olhá-lo e, mais adiante, ele poderá utilizá-lo como intermediário (meio) para a realização de um outro objetivo. Mesmo sem ter experimentado concretamente as possibilidades de uso de um determinado objeto, o sujeito pode então inventar e antecipar procedimentos para alcançar seus objetivos [“dedução sensória motora” (Piaget, 1936)]; a ação concreta cede lugar à reflexão sob forma de ação interiorizada.
          O pensamento representativo (rudimentar) inicia-se com a capacidade de evocar objetos e eventos ausentes, seja por gestos, seja através de outros objetos. Isto traz uma nova dimensão à inteligência prática e permite a elaboração de operações mentais bem mais complexas que os atos limitados ao aqui - agora. Se a inteligência prática se restringe a coordenar sucessivamente estados de uma ação interligados por curtas antecipações e reconstituições momentâneas em torno de um objeto concreto, a inteligência conceptual propiciará uma representação de conjunto (fusão) simultânea da ação, classificatória e reflexiva, onde a distância espaço-temporal entre o sujeito e os objetos tende ao infinito, a uma possibilidade de abstração ilimitada.

          Essa capacidade representativa tem sua origem na imitação que se inicia desde os primeiros meses de vida. Sempre imerso nos meios social e físico, mesmo que indiferenciados a princípio (coisas e pessoas constituindo a realidade de forma análoga), o sujeito passa por diferentes fases de imitação: inicialmente, uma cópia direta dos gestos do adulto, esta se transforma, gradativamente, em atos de inteligência representativa e em jogos simbólicos acompanhados de vocalizações ou palavras.

A transição entre as condutas sensório-motoras e as condutas representativas é assegurada, portanto, pelos prolongamentos da imitação, a imitação diferida e interiorizada (imagem mental), que aparecem no mesmo nível de desenvolvimento que o jogo simbólico e a linguagem. O primeiro serve-se de símbolos individuais e a segunda de signos convencionais, arbitrários e coletivos (sistema de comunicação próprio a uma comunidade
social).
          Com o aparecimento da função semiótica e, por conseguinte, dos instrumentos de representação, o sujeito que age passa a ser um sujeito que conhece suas ações. Os instrumentos de representação (jogo simbólico, imitação diferida, linguagem) permitem a interiorização dos esquemas de ação de uma forma parcial e progressiva; trata-se de um longo processo de conceptualização com transformações dos esquemas de ação e sua reconstrução num nível superior.

          Esse processo se inicia por volta dos dois anos, em função de uma ampliação do contexto espaço-temporal da ação, e perdura até os cinco anos, quando o sujeito consegue perceber certas ligações objetivas entre as ações e suas funções constituintes, que ainda não se constituem em verdadeiras operações. Estas surgirão à medida que o sujeito é capaz de prever resultados e planejar suas ações.

         É visível que, para Piaget, o papel da linguagem é acessório na construção do conhecimento, pois as raízes do pensamento estão na ação e nos mecanismos sensório-motores, mais do que no fato lingüístico; da mesma maneira que o jogo simbólico faculta a possibilidade de se representar individualmente o mundo, “a linguagem transmite ao indivíduo um sistema todo preparado de noções, de classificações, de relações, enfim, um potencial inesgotável de conceitos que se reconstroem em cada indivíduo, apoiados no modelo multissecular já elaborado pelas gerações anteriores” (Piaget, 1967:170 ).

A linguagem é uma condição necessária, mas não suficiente para a construção das operações lógicas. Os verdadeiros mecanismos de passagem de um estado de desenvolvimento a outro são os processos de abstração empírica que se realizam sobre os objetos e, sobretudo, as abstrações via pensamento que se aplicam às ações e a suas coordenações. Assim, a linguagem constitui uma organização, ao nível representativo, dos progressos realizados pela abstração via pensamento, mas não pode engendrar uma nova operação cognitiva.

1-    os conceitos básicos da teoria de Jean Piaget consiste a partir de três elementos fundamentais: a estrutura, que se refere aos aspectos biológicos; a função, que trata das tendências básicas da espécie e o conteúdo, que se refere aos dados comportamentais.

2-    As etapas de desenvolvimento cognitivo de sua teoria são:

- Estágio sensório-motor (de 0 a 24 meses) - A inteligência manifesta-se através de suas ações, que são geralmente aplicadas a várias situações problemas. Também apresenta um certo planejamento das suas ações, o que é uma característica crescente da sua inteligência;

- Estágio pré-operacional (de 2 a 7 anos) – Inicia-se em seu primeiro momento (2 a 4 anos) com a linguagem e termina com o desenvolvimento da função simbólica. No segundo momento (de 4 a 7 anos) caracteriza-se pelo sincretismo do pensamento, porque a criança está interessada no todo e não nas partes;

- Estágio das operações concretas (de 7 a 12 anos) – A criança operacional já pensa de maneira lógica, do ponto de vista do adulto, mas com grande dificuldade de raciocinar com conteúdos totalmente verbais. Nessa fase ela deve possuir algumas características como: representação mental, conservação, relações, inclusão de classes e ordenação serial. 

 Na relação entre aprendizagem e desenvolvimento,  para  Piaget, o  conhecimento do homem sobre o mundo está ligado diretamente à sua adaptação à realidade, ou seja, só o conhecimento faz com que a pessoa se adapte mundo. Entretanto, esses conhecimentos obtidos pela adaptação nada mais são que o desenvolvimento da própria pessoa.

Desenvolvimento e aprendizagem, segundo Piaget:
Para o autor,  desenvolvimento intelectual não se separa das condições afetivas, sociais e morais que constituem a vida da instituição educacional. Na aprendizagem, seus estudos tratam da teoria da equilibração (ponto de equilíbrio entre a assimilação e a acomodação, ou seja, o equilíbrio cognitivo implica em afirmar a presença necessária de acomodações nas estruturas, bem como a conservação de tais estruturas em caso de acomodação bem sucedida.

Segundo Piaget, o desenvolvimento cognitivo dá-se quando temos um conflito cognitivo. Esse conflito causa instabilidade, motivação, conflito, duvida, desejo de saber. Este conflito cognitivo dá-se quando percebemos que temos algo contraditório é interno e pessoal

          Para Piaget, o desenvolvimento mental dá-se espontaneamente a partir de suas potencialidades e da sua interação com o meio. O processo de desenvolvimento mental é lento, ocorrendo por meio de graduações sucessivas através de estágios: período da inteligência sensório-motora; período da inteligência pré-operatória; período da inteligência operatório-

concreto; e período da inteligência operatório-formal.

Diz ainda que o processo de desenvolvimento é influenciado por fatores como: maturação (crescimento biológico dos órgãos), exercitação (funcionamento dos esquemas e órgãos que implica na formação de hábitos), aprendizagem social (aquisição de valores, linguagem, costumes e padrões culturais e sociais) e
equilibração (processo de auto regulação interna do organismo, que se constitui nabusca sucessiva de reequilíbrio após cada desequilíbrio sofrido).

Socialização, segundo  Piaget:
Na criança muito pequena, há uma notória falta de socialização. Ela vai se socializando à medida que a pressão do meio externo exige a adaptação de seus pensamentos àqueles do mundo adulto.
O desenvolvimento cognitivo se dá a partir de esquemas e estruturas de pensamentos e ocorre em etapas (estágios) pelas quais todos os indivíduos passam
A criança se desenvolve com seus conflitos internos. Para ele cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro, é um desenvolvimento conflituoso. O desenvolvimento acontece por meio de relações entre um ser e um meio que se modificam reciprocamente.

A avaliação, segundo Piaget
*A avaliação caracteriza-se por um momento de reflexão crítica e tomada de decisão para o professor. Serve para desvelar o processo para conhecer. Sem avaliar não se conhece e sem conhecer não se pode confiar. Para trabalhar de acordo com a realidade é preciso saber ler essa realidade. Conhecê-la é fator desencadeador de uma decisão consciente e uma organização dos novos rumos da intervenção do professor