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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Piaget, Wallon e Vygotsky - concordâncias e discordâncias

Piaget e o desenvolvimento cognitivo
Piaget  refere-se ao meio como condição para o desenvolvimento cognitivo, mas centraliza sua explicação nos mecanismos de coordenação entre as ações da criança sobre o mundo, dando pouca importância à intervenção social.
Ele definiu a inteligência como uma das manifestações da vida, ou seja, uma forma de adaptação, sendo a ação o modo de interação do homem com o meio. Isto significa que em todos os níveis do desenvolvimento, uma conduta cognitiva é uma ação (concreta ou interiorizada), cuja função é a adaptação do sujeito a seu meio pela interação. Este desenvolvimento é contínuo.

Para Piaget, o processo de desenvolvimento é influenciado por fatores como: maturação (crescimento biológico dos órgãos), exercitação (funcionamento dos esquemas e órgãos que implica na formação de hábitos), aprendizagem social (aquisição de valores, linguagem, costumes e padrões culturais e sociais) e equilibração (processo de auto regulação interna do organismo, que se constitui na busca sucessiva de reequilíbrio após cada desequilíbrio sofrido).

Na aprendizagem, os estudos de Piaget  tratam da teoria da equilibração (ponto de equilíbrio entre a assimilação e a acomodação, ou seja, o equilíbrio cognitivo implica em afirmar a presença necessária de acomodações nas estruturas, bem como a conservação de tais estruturas em caso de acomodação bem sucedida.

Piaget e a socialização:
A criança vai se socializando à medida que a pressão do meio externo exige a adaptação de seus pensamentos àqueles do mundo adulto. Na criança muito pequena, portanto, há uma notória falta de socialização.
O desenvolvimento cognitivo se dá a partir de esquemas e estruturas de pensamentos e ocorre em etapas (estágios) pelas quais todos os indivíduos passam

A criança se desenvolve com seus conflitos  internos. Para ele cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro, é um desenvolvimento conflituoso. O desenvolvimento acontece por meio de relações entre um ser e um meio que se modificam reciprocamente.

Conceitos básicos da teoria de Jean Piaget:
Consiste a partir de três elementos fundamentais: a estrutura, que se refere aos aspectos biológicos; a função, que trata das tendências básicas da espécie e o conteúdo, que se refere aos dados comportamentais.

Etapas de desenvolvimento cognitivo da teoria de Piaget:
O desenvolvimento mental dá-se espontaneamente a partir de suas potencialidades e da sua interação com o meio.
O processo de desenvolvimento mental é lento, ocorrendo por meio de graduações sucessivas através de estágios:

- Estágio sensório-motor (de 0 a 24 meses) - A inteligência manifesta-se através de suas ações, que são geralmente aplicadas a várias situações problemas. Também apresenta um certo planejamento das suas ações, o que é uma característica crescente da sua inteligência. 

- Estágio pré-operacional (de 2 a 7 anos) – Inicia-se em seu  primeiro momento (2 a 4 anos) com a linguagem e termina com o desenvolvimento da função simbólica. No segundo momento (de 4 a 7 anos) caracteriza-se pelo sincretismo do pensamento, porque a criança está interessada no todo e não nas partes.

- Estágio das operações concretas (de 7 a 12 anos) – A criança operacional já pensa de maneira lógica, do ponto de vista do adulto, mas com grande dificuldade de raciocinar com conteúdos totalmente verbais. Nessa fase ela deve possuir algumas características como: representação mental, conservação, relações, inclusão de classes e ordenação serial. 

Piaget: preocupou-se com a origem do desenvolvimento intelectual. Para ele, há processos fundamentais que ocorrem o tempo todo (adaptação e organização, assimilação e acomodação, equilibração). Apresentou os estágios do desenvolvimento cognitivo que são: sensório-motor, pré-operatório, operatório-concreto e operatório-formal.

Para Piaget, há quatro fatores básicos como responsáveis pelo desenvolvimento humano: Maturação, experiência, transmissão social e equilibração

Relação entre aprendizagem e desenvolvimento em Piaget:
O conhecimento do homem sobre o mundo está ligado diretamente à sua adaptação à realidade, ou seja, só o conhecimento faz com que a pessoa se adapte ao mundo. Entretanto, esses conhecimentos  obtidos  pela adaptação nada mais são que o desenvolvimento da própria pessoa.

Implicações do pensamento piagetiano para a aprendizagem
- Os objetivos pedagógicos necessitam estar centrado no aluno, partir das atividades do aluno.
- Os conteúdos não são concebidos como fins em si mesmos, mas como instrumentos que servem ao desenvolvimento evolutivo natural.
- primazia de um método que leve ao descobrimento por parte do aluno ao invés de receber passivamente através do professor.
- A aprendizagem é um processo construído internamente.
- A aprendizagem depende do nível de desenvolvimento do sujeito.
- A aprendizagem é um  processo de reorganização cognitiva.
- Os conflitos cognitivos são importantes  para o desenvolvimento da aprendizagem.
- A interação social favorece a aprendizagem

Wallon e o desenvolvimento cognitivo
Ao contrário de Piaget, Wallon entende o desenvolvimento cognitivo como um processo descontínuo e eminentemente social, em que a linguagem terá um papel fundamental
Para ele, desde o momento em que nasce o bebê, por sua incompletude, sua incapacidade de sobrevivência sem a ajuda de um membro mais experiente da cultura, define-se como um ser social, sendo, portanto, impossível conceber a vida psíquica sem as relações de reciprocidade entre o biológico e o social. Este movimento que marcará todo o desenvolvimento cognitivo do sujeito, o entorno humano representa um lugar de significação das suas ações desde seu nascimento
Embora em sua teoria também estejam presentes estágios de desenvolvimento cognitivo,os elementos que regem a sua evolução são totalmente distintos.
A linguagem tem um papel decisivo no processo de identificação e localização dos
objetos, pois instrumenta a criança a focalizar o objeto num conjunto perceptivo e a compará-lo a
objetos semelhantes, ultrapassando sua impressão presente.

Wallon – preocupou-se com a afetividade e a motricidade como elementos fundamentais no desenvolvimento psíquico e cognitivo. Em sua análise psicogenética, a afetividade e a motricidade humana estão presentes desde o nascimento e entra em sena quando o ser humano atua em seu contexto

Henri Wallon propõe quatro campos funcionais como determinantes do desenvolvimento humano Afetividade, movimento, inteligência e a formação do eu

Wallon e o estágio do desenvolvimento
- Sensório motor e projetivo: onde os movimentos são por impulsos e a criança começa a ter noção de espaço para alcançar objetos (distância entre o objeto que deseja pegar);
- Personalíssimo: a criança começa a entender que ela é uma pessoa, deixa de falar em 3ª pessoa e quer ser o centro das atenções;
- Categorial: nessa fase, a criança começa a dividir os objetivos do meio onde vive por categoria. Ex. livros para crianças, livros para adultos;
- Puberdade e adolescência: onde começa a formação de seus conceitos próprios e começa a se relacionar, ou ficar em grupos, com pessoas do seu oposto, diferente da fase anterior  onde as meninas preferem ficar mais com outras meninas.

Wallon e a socialização:
Wallon entende que a criança está socializada desde os primeiros momentos de sua existência e sua sociabilidade necessariamente se exprime, em cada idade, na linguagem das funções em exercício
O desenvolvimento acontece por meio de relações entre um ser e um meio que se modificam reciprocamente
Ambos concedem uma importância primordial ao movimento na gênese da vida mental. E neste sentido tanto um como outro são pensadores materialistas.
Wallon desenvolve uma concepção de conjunto do psiquismo enfocado sob o duplo aspecto afetivo e intelectual. Já Piaget, ao fixar sua atenção no aspecto intelectual, constrói uma psicologia da inteligência



Vygotsky – compreende o homem como um ser q se transforma do biológico para o sócio-histórico num processo em que a cultura é essencial na construção humana.
Para ele, o cérebro tem a capacidade de criar novos conhecimentos por meio das trocas entre as pessoas e, por meio da interação nos processos de aprendizagem e desenvolvimento.

A formação da consciência humana se desenvolve a partir do contexto cultural e das relações sociais. O conhecimento é construído de forma coletiva.
A inteligência ocorria através da complementaridade dos aspectos biológicos e sociais. Segundo sua teoria, é por meio de suas interações com outros seres humanos que o homem se constrói, ou seja, o homem não nasce homem e sim com possibilidades de humanizar-se nas interações que estabelece ao longo da vida. (Pg.38)
- Para Vygotsky, a criança interioriza o mundo ao seu redor através da linguagem, do uso dos signos e da imitação.

Para Vygotsky, as potencialidades do indivíduo devem ser  levadas em  conta durante o processo de ensino-aprendizagem. Isto porque, a partir do contato com uma pessoa mais experiente e com o quadro histórico-cultural, as potencialidades do aprendiz são transformadas em situações que ativam nele esquemas processuais cognitivos ou comportamentais, ou de que este convívio produza no indivíduo novas potencialidades, num processo dialético contínuo. Como para ele a aprendizagem impulsiona o desenvolvimento, a escola tem um papel essencial na construção desse ser; ela deveria dirigir o ensino não para etapas intelectuais já alcançadas, mas sim, para etapas ainda não alcançadas pelos alunos, funcionando como incentivadora de novas conquistas, do desenvolvimento potencial do aluno.

Vygotsky atribui um papel preponderante às relações sociais no processo de desenvolvimento intelectual. Rejeitava as teorias  inatistas  e empiristas. Para ele a formação se dá pela relação do sujeito e a sociedade ao seu redor, além da importância dos instrumentos como na mediação da relação com o mundo.

Socialização para Vygotsky:
Acriança nasce inserida num meio social, que é a família, e é nela que estabelece as primeiras relações com a linguagem na interação com os outros. Nas interações cotidianas, a mediação (necessária intervenção de outro entre duas coisas para que uma relação se estabeleça) com o adulto acontece espontaneamente no processo de utilização da linguagem, no contexto das situações imediatas.
Essa teoria apóia-se na concepção de um sujeito interativo que elabora seus conhecimentos sobre os objetos, em um processo mediado pelo outro. O conhecimento tem gênese nas relações sociais, sendo produzido na intersubjetividade e marcado por condições culturais, sociais e históricas.

Discordâncias  Wallon X Piaget
Algumas divergências se dão quanto ao desenvolvimento mental que para Piaget, se dá espontaneamente a partir de suas potencialidades e da sua interação com o meio.
Wallon propõe estágios de desenvolvimento, assim como Piaget, porém, ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. O desenvolvimento humano tem momentos de crise. 

Wallon entendia a gênese da pessoa, o DH se dava num ciclo funcional de alternância ora de intrapessoal (dentro) para interpessoal (fora) ora de fora para dentro não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear
Para Piaget, a gênese da inteligência o DH se dava em relações de dentro (sujeito) para fora (ambiente). 
Para Piaget, a criança vai se socializando à medida que a pressão do meio externo exige a adaptação de seus pensamentos àqueles do mundo adulto. Na criança muito pequena, portanto, há uma notória falta de socialização.
Ao contrário de Piaget, Wallon entende que a criança está socializada desde os primeiros momentos de sua existência e sua sociabilidade necessariamente se exprime, em cada idade, na linguagem das funções em exercício

Piaget x Vygotsky
Um dos pontos divergentes entre Piaget e Vygostky parece estar basicamente centrado na concepção de desenvolvimento.
A teoria piagetiana considera-o em sua forma retrospectiva, isto é, o nível mental atingido determina o que o sujeito pode fazer. A teoria vygostkyana, considera-o na dimensão prospectiva, ou seja, enfatiza que o processo em formação pode ser concluído através da ajuda oferecida ao sujeito na realização de uma tarefa.

Se em Piaget deve-se levar em conta o desenvolvimento como um limite para adequar o tipo de conteúdo de ensino a um nível evolutivo do aluno, em Vygotsky o que tem que ser estabelecido é uma seqüência que permita o progresso de forma adequada, impulsionando ao longo de novas aquisições, sem esperar a maduração "mecânica" e com isso evitando que possa pressupor dificuldades para prosperar por não gerar um desequilíbrio adequado. É desta concepção que Vygotsky afirma que a aprendizagem vai à frente do desenvolvimento.

Enquanto Piaget  não aceita em suas provas "ajudas externas", por considerá-las inviáveis para detectar e possibilitar a evolução mental do sujeito, Vygotsky não só as aceita, como as considera fundamentais para o processo evolutivo

Concordâncias – Wallon X Piaget
Wallon propõe estágios de desenvolvimento, assim como Piaget, porém, ele não é adepto da idéia de que a criança cresce de maneira linear. O desenvolvimento humano tem momentos de crise, isto é, uma criança ou um adulto não são capazes de se desenvolver sem conflitos. A criança se desenvolve com seus conflitos internos e, para ele, cada estágio estabelece uma forma específica de interação com o outro, é um desenvolvimento conflituoso.

1º - Ambos estavam  interessados no estudo da gênese dos processos psicológicos.
2º - Ambos tinham a idéia do desenvolvimento cognitivo a partir de um desenvolvimento sensório- motor.
3º - Para ambos o desenvolvimento cognitivo necessita estabelecer relações com os objetos.
4º - Concordam que o ato mental se desenvolve a partir do ato motor;
5º - Os dois  propõem estágios de desenvolvimento.