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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Sigmund Freud

     Sigmund Freud nasceu em Freiburg, cidade que na época pertencia ao Império Austríaco; hoje denominado República Tcheca. Viveu quase toda sua vida em Viena na Austria.
Primogênito do terceiro casamento de seu pai, resultaram em seis irmãs e um irmão. Durante sua infância foi cuidado por uma babá católica. A pesar de frequentar a missa com sua ela, não seguiu essa religião, mas manteve sempre costumes judeus herdados no convívio familiar.
       Uma de suas controvérsias foi o fato de ter utilizado o dialeto alemão falado na Áustria para escrever duas idéias, permitindo diferentes interpretações sobre temas utilizados em seus livros. Em viena, os principais expoetes , tanto no campo das ciências quanto das artes divulgaram as idéias de Freud.
        Desde a infância, Freud demonstrou gosto pelos estudos de literatura. Primeiro aluno de sua classe durante sete anos, estudou medicina na Universidade de Viena de 1873 a 1881, tempo em que dedicou-se a pesquisa de vários temas como biologia, anatomia, artes, entre outros, mas com maior atenção aos estudos da filosofia.
        Na Áustria, os judeus eram perseguidos e discriminados, principalmente nas Universidades mas, mesmo assim, Freud conseguiu concluir seus estudos.
        Depois de formado, trabalhou no Hospital Geral de Viena, exercendo diferentes funções em vários departamentos nas áreas de fisiologia e de neuropatologia. Por se destacar como neurologista foi designado professor de neuropatologia, porém, por problemas financeiros voltou a dedicar-se à clinica. Mesmo com seus 41 anos na área da medicina, não se considerava um médico propriamente dito. Para ele, tornou-se médico ao ser obrigado a desviar do seu propósito original, e sua vitória, depois de uma longa jornada tortuosa foi encontrar o caminho de volta para sua tragetória inicial, já que em nenhum momento sentia inclinação pela carreira de médico mas era movido mais por uma curiosidade com relação ao gênero humano do que para os objetos naturais.
        Ao longo de sua carreira como médico, confrontou-se com os primeiros casos de histeria, doença que naquela época era uma icógnita. Freud, ao contrário dos cientistas da época que consideravam a histeria uma doença típica das mulheres e por isso, quem apresentasse  essa doença era tratada como bruxa, questionou essa concepção e afirmou que essa doença também era uma patologia masculina.
        Entre 1885 e 1886 Freud foi a Paris, onde estagiou com o médico Jean-Martin Charcot, o pai da neurologia moderna, época em que Freud fez as primeiras descobertas sobre a histeria, percebendo que essa doença nervosa poderia ser causada e anulada, e poderia também ser dissociada de condições neurológicas com o auxílio da hipinose
        Entre 1889 e 1890 Freud retorna à França e se aperfeiçoa suas técnicas de hipnotismo com os pesquisadores Ambroiuse Leibault e Hippolyte Bernhaim.
        Em 1886, Freud abre seu consultório, época em que casou-se com Marta Bernays, com quem teve seis filhos. Apenas a mais nova, Anna, seguiria seus passos na psicanálise.
        Alguns fatos ocorridos no início do século XX abalaram a vida de Freud. Em 1920, a morte de Sophie, sua filha predileta, e logo depois morre seu neto, filho de Sophie. Em função desses acontecimentos, Freud chegou a interromper seu trabalho por um determinado tempo. Em 1923, foi diagnosticado câncer no seu maxilar superior, o que o levou a várias cirurgias, mas mesmo assim ainda realizou muitas produções científicas, que foram divulgadas em vários países.
        Nas investigações freudiana, um dos principais fenômenos que o encomodava eram os lapsos de memôria sofridos pelas pessoas. Por que os pacientes esqueciam tantos de sua vida interior e exterior? Pergunta-se. Freud preocupava-se com o comportamento desviante das pessoas. O comportamento de seus pacientes o inquietava. Percebia manifestações físicas do inconsciente (atos falhos, chistes e sonhos) que eram pouco abordados pela psicologia e pela medicina da época.
Essas manifestações o levou a elaborar sua teoria sobre o psiquismo – as reações conscientes e inconscientes da mente humana. A partir desses estudos ele elaborou a psicanálise. Por isso, podemos afirmar que a psicanálise  é um método de investigação que consiste em evidenciar o significado incosciente das palavras, das ações, das produções imaginárias (sonhos, fantasias, delírios) de um sujeito. Esse método basea-se, principalmente nas associações livres – a garantia da validade da interpretação.
        Na intrepretação da psicanálise, os processos psíquicos inconscientes representam os conteúdos que não estão presentes  na consciencia e que são reprimidos e recalcados (são os aspectos que o indivíduo não consegue revelar).
        Para Freud, toda pessoa tem uma percepção de si e também reflete sobre aquilo que os outros pensam a seu respeito. Com isso, a pessoa sofre com os julgamentos dos outros.
        Freud concebia a busca do homem pela felicidade, porém, enfatizava que a felicidade não existia, a todo momento, principalmente no processo de amar. Ele indica três fatores  que dá origem ao sofrimento ou a infelicidade:
- A fragilidade de nossos próprios corpos;
- A fonte de sofrimento advindo do externo;
- Os sofrimentos provenientes das relações entre os homens.
        A psicanálise foi uma maneira encontrada por Freud para atender às pessoas em sofrimento e encontrar as possíveis causas  das angústias humanas.
        Freud denominou o controle dos impulsos e da sexualidade do homem de repressão. Tanto os impulsos libidinais quanto os hostis.
        Uma questão estudada pela psicanálise foi o conceito de sexualidade, que antes, era considerado que a vida sexual iniciava-se na puberdade. Porém, a psicanálise revelou uma grande quantidade de fenômenos relacionados à sexualidade nas crianças, já no começo da existência extrauterina. Para Freud, o conceito de sexualidade não está associado apenas aos órgãos genitais, mas compreende à várias partes do corpo. A amamentação, por exemplo, era considerada como uma experiência sexual da criança, uma experiência gerada de prazer, porém, não relacionada com a noção de sexualidade adulta.

O inconsciente 
Diz Freud, não é o subconsciente. Este é aquele grau da consciência como consciência passiva e consciência vivida não-reflexiva, podendo tomar-se plenamente consciente. Oinconsciente, ao contrário, jamais será consciente diretamente, podendo ser captado apenas indiretamente e por meio de técnicas especiais de interpretação desenvolvidas pelapsicanálise.

Atos falhos ou sintomáticos 
   Os chamados Atos sintomáticos são para Freud evidência da força e individualismo do inconsciente: e sua manifestação é comum nas pessoas sadias. Mostram a luta do consciente com o subconsciente (conteúdo evocável) e o inconsciente (conteúdo não evocável). São os lapsus linguae, popularmente ditos "traição da memória", ou mesmo convicções enganosas e erros que podem ter conseqüências graves.

Motivação 
   Para explicar o comportamento Freud desenvolve a teoria da motivação sexual (sobrevivência da espécie) e do instinto de conservação (sobrevivência individual). Mas todas as suas colocações giram em torno do sexo. A força que orienta o comportamento estaria no inconsciente e seria o instinto sexual.

Fases do desenvolvimento sexual 
   Freud contribuiu com uma teoria das fases do desenvolvimento do indivíduo. Este passa por sucessivos tipos de caráter: oral, anal e genital. Pode sofrer regreção de um dos dois últimos a um ou outro dos dois anteriores, como pode sofrer fixação em qualquer das fases precoces.  Essas fases se desenvolverão entre os primeiros meses de vida e os 5 ou 6 anos de idade, e estão ligadas ao desenvolvimento do Id:

(1) Na fase oral, ou fase da libido oral, ou hedonismo bucal, o desejo e o prazer localizam-se primordialmente na boca e na ingestão de alimentos e o seio materno, a mamadeira, a chupeta, os dedos são objetos do prazer;

Na fase anal, ou fase da libido ou hedonismo anal, o desejo e o prazer localizam-se primordialmente nas excreções e fezes. Brincar com massas e com tintas, amassar barro ou argila, comer coisas cremosas, sujar-se são os objetos do prazer;

Na fase genital ou fase fálica, ou fase da libido ou hedonismo genital, o desejo e o prazer localizam-se primordialmente nos órgãos genitais e nas partes do corpo que excitam tais órgãos. Nessa fase, para os meninos, a mãe é o objeto do desejo e do prazer; para as meninas, o pai.


Freud distinguiu três níveis de consciência, em sua inicial divisão topográfica da mente:

consciente - diz respeito à capacidade de ter percepção dos sentimentos, pensamentos, lembranças e fantasias do momento;

pré-consciente- relaciona-se aos conteúdos que podem facilmente chegar à consciência;

inconsciente- refere-se ao material não disponível à consciência ou ao escrutínio do indivíduo.


De acordo com a teoria estrutural da mente, o id, o ego e o superego funcionam em diferentes níveis de consciência. Há um constante movimento de lembranças e impulsos de um nível para o outro.

ID: Constitui o reservatório de energia psiquica, é onde se localizam as pulsões de vida e de morte. As características atribuídas ao sistema incosciente. É regido pelo princípio do prazer (Psiquê que visa apenas o prazer do indivíduo). 
EGO: É o sistema que estabelece o equilíbrio entre as exigências do id, as exigências da realidade e as ordens do superego. A verdadeira personalidade, que decide se acata as decisões do (Id) ou do (Superego). 
SUPEREGO: Origina-se com o complexo do Édipo, apartir da internalização das proibições, dos limites e da autoridade. (É algo além do ego que fica sempre te censurando e dizendo: Isso não está certo, não faça aquilo, não faça isso, ou seja, aquela que dói quando prejudicamos alguém, é o nosso "freio".)

Os principais mecanismos de defesa são os seguintes:

1. Repressão - retirada de idéias, afetos ou desejos perturbadores da consciência, pressionando-os para o inconsciente.

2. Formação reativa - fixação de uma idéia, afeto ou desejo na consciência , opostos ao impulso inconsciente temido.

3. Projeção - sentimentos próprios indesejáveis são atribuídos a outras pessoas.

4. Regressão - retorno a formas de gratificação de fases anteriores, devido aos conflitos que surgem em estágios posteriores do desenvolvimento.

5. Racionalização - substituição do verdadeiro, porém assustador, motivo do comportamento por uma explicação razoável e segura.

6. Negação - recusa consciente para perceber fatos perturbadores. Retira do indivíduo não só a percepção necessária para lidar com os desafios externos, mas também a capacidade de valer-se de estratégias de sobrevivência adequadas.

7. Deslocamento - redirecionamento de um impulso para um alvo substituto.

8. Anulação - através de uma ação, busca-se o cancelamento da experiência prévia e desagradável.

9. Introjeção - estreitamente relacionada com a identificação, visa resolver alguma dificuldade emocional do indivíduo, ao tomar para a própria personalidade certas características de outras pessoas.

10. Sublimação - parte da energia investida nos impulsos sexuais é direcionada à consecução de realizações socialmente aceitáveis (p.ex. artísticas ou científicas)

Freud desenvolveu a teoria psicanalítica, baseado em sua experiência clínica. O ponto nuclear dessa teoria é o postulado da existência do inconsciente como:
a)     um receptáculo de lembranças traumáticas reprimidas;
b)    b) um reservatório de impulsos que constituem fonte de ansiedade, por serem socialmente ou eticamente inaceitáveis para o indivíduo.

Contribuições da psicanálise freudiana para a aprendizagem e a educação:
A teoria freudiana nos mostra como se processa no aluno o desenvolvimento emocional e mental.
A maior contribuição da psicanálise para a educação se dá através do estudo do funcionamento do aparelho psíquico e dos processos mentais, onde ocorre a aprendizagem.
Outra grande contribuição diz respeito a aprendizagem por identificação. Sua teoria ressalta a importância da relação professor – aluno, da sintonia/empatia entre estes, que favorece a aprendizagem.

Transferência e ação educativa.
De acordo com Freud, a transferência é um fenômeno que se faz essencial na educação para que a aprendizagem ocorra. Por ela, o aluno se volte para a figura do professor. O professor é, para o aluno, aquele que sabe como ensiná-lo.
Nessa relação, a transferência se instala por meio de um intercâmbio entre inconscientes: o inconsciente do professor e o do aluno.

Principais descobertas da psicanálise freudiana - A psicanálise é marcada pela descoberta do inconsciente, descoberta que revoluciona a concepção de homem. Jaques Lacan define o inconsciente como estruturado pela linguagem como algo construído pelo desligamento constante dos significantes, não se detendo em significados. Sendo o inconsciente estruturado como linguagem é determinado pela lei metáfora e da metonímia. Por meio da psicanálise entendemos que o sujeito é um ser singular, único, dotado de um psiquismo regido e por uma lógica específica